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Os Jogos Olímpicos – parte 1

 

Os Jogos Olímpicos eram a mais importante festa pan-helênica do mundo grego. Tiveram início no ano 776 a.C. A partir dessa data, os gregos adotaram os Jogos Olímpicos como referência cronológica, chamando “olimpíada” o período de quatro anos entre um festival e outro. Aconteciam em pleno verão, na semana de lua cheia do mês metagitnion (correspondente à segunda quinzena de agosto e primeira de setembro do nosso calendário) . Eram dedicados a Zeus, a divindade suprema, e aconteciam em seu santuário em Olímpia, na região de Élis, a oeste do Peloponeso, na confluência dos rios Alfeu e Giadeo. O santuário contava com o ginásio, a palestra, o estádio, o hipódromo, além de um hotel e dois templos, um de Hera e um de Zeus.

Deles só podiam participar homens livres, de raça grega, e em pleno gozo de seus

Cidade de Olímpia

direitos de cidadãos. Assim as Olimpíadas criavam condições para que os gregos, subdivididos em grupos que viviam em centenas de polis (cidades-estados)independentes e em constantes atritos entre si, adquirissem consciência de sua unidade nacional.

A presença de mulheres era vedada, tanto nas provas como na platéia. A única exceção feita era à sacerdotisa de Deméter, que assistia a todos os espetáculos, acomodada em seu altar de mármore. Contudo, em Olímpia celebravam-se, só para as mulheres, os Heraia ou Jogos Heranos, em honra à deusa Hera, esposa de Zeus. Os jogos consistiam em provas de corrida a pé, disputadas por mulheres, e terminavam com sacrifícios, procissão e festas.

Algum tempo antes da abertura dos jogos, os arautos  spondophóroi (portadores da trégua) divulgavam por  toda a Grécia a trégua sagrada, que suspendia as guerras por três meses, a fim de proporcionar uma viagem de ida-e-volta segura às pessoas que pretendiam deslocar-se para Olímpia. A partir do século IV a.C., a região de Élis foi proclamada inviolável. Entrar  naquele território portando armas era sacrilégio.

Um mês antes do início das provas, helanódices (juízes dos helenos) e atletas, acompanhados de seus familiares e amigos, participavam de uma procissão solene que ia de Élis até Olímpia (58 quilômetros), pela Via Sagrada.

Templo de Zeus

Os jogos duravam sete dias. O primeiro e o último eram dedicados a cerimônias religiosas. No primeiro dia, a cerimônia inicial era o juramento solene, no altar de Zeus; os helanódices  juravam julgar as provas com eqüidade e os atletas juravam respeitar todos os regulamentos e agir com lealdade. A seguir, acontecia o sacrifício no altar de Zeus. Depois, todos seguiam para o estádio e os arautos declaravam a abertura oficial dos jogos. No dia do encerramento, organizava-se outra procissão e um banquete.

A vitória implicava alta honra não só para o vitorioso, como também para sua família e para sua cidade natal. O arauto proclamava o seu nome, o nome de seu pai e o de sua pátria. Ele se tornava um Olimpiônico. Como prêmio material, recebia uma coroa de folhas de oliveira. O que importava mesmo era a aclamação do público. Sua cidade natal o recebia triunfalmente e os poetas, como Píndaro, o imortalizavam em canções que espalhavam sua fama por toda a Grécia. O nome do vencedor era inscrito no catálogo oficial dos olimpiônicos, conservado no ginásio.

Os gregos praticavam as seguintes modalidades  nos Jogos Olímpicos da Antiguidade :

CORRIDAS A PÉ (drómos) 

  • Corrida simples ou “stádion”. É a corrida de velocidade propriamente dita, devendo o atleta percorrer uma única vez a pista do estádio, que media 192 m.
  • Corrida dupla ou “díaulos”. O atleta percorria duas vezes a pista do estádio.
  • Corrida de fundo ou “dólikhos”. Nessa corrida, o percurso variava de 7 a 24 estádios, podendo somar, portanto, mais de 4 km.
  • Corrida com armas ou “hoplitodromía”. Tendo como percurso dois ou quatro estádios, essa prova era disputada por corredores armados com a hopla, isto é, o armamento do hoplita (soldado de infantaria pesada), que se equipava de escudo, capacete e perneiras.

Os corredores eram distribuídos por categorias de acordo com a idade. A corrida de fundo e a hoplitodromia só eram disputadas por homens adultos. Os atletas disputavam as provas de corrida (com exceção da hoplitodromia) inteiramente nus, com o corpo untado de óleo.

Nas provas, os competidores se alinhavam em série de 5 ou 6 no máximo. Aguardavam em pé o sinal de largada, com o dorso projetado para a frente e os pés bem juntos um do outro. Se houvesse um grande número de corredores, eles eram distribuídos em séries, por sorteio, e os vencedores de cada uma das séries competiam, a seguir, entre si.

LANÇAMENTO DE DISCO (dískos) e DE DARDO (ákon)

Lançamento de disco

Nas competições, o peso do disco variava conforme a categoria, cujos critérios de classificação eram a força e o peso dos atletas. Os discos, inicialmente de pedra e depois de metal, eram redondos, chatos e bem polidos. Pesavam em média 5 quilos e tinham 21 cm de diâmetro. Para torná-los mais aderentes às mãos, era permitido gravar neles círculos ou figuras. O lançamento era feito de um ponto determinado e o local onde o disco caía era marcado com uma estaca, para confrontar-se os diferentes resultados. Vencia a competição quem lançasse mais longe. Há um recorde registrado de 29,28 m de distância.

O dardo, arma corrente na caça e na guerra, media aproximadamente 1,70 m e era da grossura de um dedo, mas o usado nas práticas esportivas e nas competições não tinha ponta, a fim de evitar-se acidentes. Além disso, o dardo possuía um lastro na extremidade e, no seu centro de gravidade, um propulsor em forma de cordão de couro de aproximadamente quarenta centímetros. Esse cordão era enrolado ao longo do cabo e terminava por um anel, no qual o atleta introduzia o dedo indicador. Ao ser ativado, o propulsor imprimia ao dardo um movimento de rotação, potencializando seu alcance.

LUTA (pále) e PUGILATO (pýgme)

Pugilato

Na luta, o atleta visava a levar o adversário a tocar os dois ombros no chão. Era proibido dar pontapés e socos, devendo os lutadores atuar com as mãos abertas. O combate se desenvolvia em duas fases: primeiro, luta-se em pé, fazendo-se uso de táticas, como pegadas nos punhos ou nas pernas e braços, com a finalidade de derrubar o adversário; a seguir, lutava-se no chão, buscando-se fazer o corpo do adversário ou seus ombros encontrarem o chão. O lutador mais famoso foi Milos de Crotona, que venceu 6 vezes em Delfos e 6 vezes em Olímpia.

O pugilato, contemplado em todos os jogos, é muito antigo, encontrando-se representado na arte cretense e na Ilíada. É considerada criação de Teseu, o herói ateniense que matou o Minotauro, na ilha de Creta. A luta era com golpes de punho, muito parecido com o boxe: os competidores protegiam as mãos com faixas de pele de boi, de mais ou menos 2 metros, enroladas nas mãos o mais apertado possível e presas nos pulsos por um sistema de correias. Essa faixa, chamada “cesto”, era às vezes reforçada com bolas de metal ou pregos, o que a tornava mais parecida com o soco inglês do que com as nossas luvas de boxe.O corpo a corpo era proibido. Nenhum golpe podia ser desferido com a intenção de matar. A luta se desenrolava em vários lances e terminava quando um dos competidores já não tinha mais condições físicas ou quando, levantando o braço, dava-se por vencido.

OUTRAS MODALIDADES

 Salto em extensão (pédema), Há registros de saltos de 17 metros de extensão; tratava-se, sem dúvida, de saltos múltiplos.

No pentatlo (péntatlhon) o atleta disputava 5 modalidades: salto, lançamento de dardo, de disco, corrida e luta (às vezes salto e disco são substituídos por pugilato e pancrácio). Só participavam da luta final os dois concorrentes que tivessem apresentado o melhor desempenho nas provas anteriores.

A corrida de carros era o mais importante concurso eqüestre e também o mais aristocrático: só os muito abastados é que tinham recursos para custear a manutenção de carros e a criação dos cavalos. Diferia pela quantidade de cavalos atrelados: dois ou quatro (bigas e quadrigas).

O hipismo era menos prestigiado que as corridas de carro. Nas Olimpíadas essa modalidade só aparece após a 33ª, em 648 a.C. As provas visavam testar a capacidade do cavaleiro: devia manejar a lança montando o cavalo ou montar sem estribos ou então carregando uma tocha. Levavam em conta, também, a idade do cavalo: cavalos de três anos e cavalos mais velhos.

Pélope

A tradição grega associava às origens míticas dos Jogos Olímpicos dois grandes heróis: Pélope e Héracles. Quando Pélope chegou à região de Élis, vindo da Lídia com grande quantidade de tesouros, fez parada na cidade de Pisa, onde reinava Oinomaos. Esse rei tinha uma filha, Hipodâmia, que ele se negava a dar em casamento. Quando aparecia algum pretendente, o rei propunha-lhe uma disputa na corrida de carros. Se o pretendente vencesse, levaria Hipodâmia como prêmio; se, ao contrário, fosse derrotado, seria morto pelo rei. Pélope interessou-se pelo desafio. Àquela altura, o rei já havia dado a morte a doze pretendentes. Acontece que Hipodâmia se apaixonou por Pélope e tratou de favorecer o seu amado: convenceu por meio de suborno o cocheiro de Oinomaos a substituir os eixos do carro do rei por outros mais fracos, que se romperam durante a prova, causando a morte de seu próprio pai. Assim, Pélope conseguiu casar-se com Hipodâmia e instituiu jogos em honra do rei morto.

Hércules

Depois de um certo tempo, esses jogos deixaram de ser celebrados. Coube, então, a Héracles reativá-los, em comemoração à sua vitória sobre Áugias, um rei de Élis possuidor de numeroso rebanho, cujo estábulo nunca havia sido limpado. Toda a vizinhança sofria com o mau cheiro que exalava de seus domínios; além disso, o solo já não produzia mais, tão grande era a quantidade de esterco que o cobria. A limpeza do estábulo foi realizada por Héracles. Do conjunto dos famosos Doze Trabalhos, esse foi o sexto. Acertado com o rei o preço da tarefa — ele deveria receber uma décima parte do rebanho — pôs mãos à obra: derrubou duas das paredes do estábulo e, a seguir, desviou os cursos de dois rios da vizinhança, cujas águas levaram todo o esterco. O rei, entretanto, negou-se a pagar o combinado e expulsou-o violentamente do território. Para vingar-se, Héracles organizou uma expedição contra Áugias, invadiu o seu reino e o matou. Porém, arrependido, o herói organizou competições para homenagear os deuses do Olímpo, visando redimir-se de seus atos e, com isso, deu início à tradição dos Jogos Olímpicos.

 

 

 

 

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